Este espaço destina-se à comunicação entre aqueles que trabalham para e/ou buscam a restauração de sua resiliência e bem estar físico, mental, espiritual...e à integração destas dimensões...
domingo, 5 de julho de 2020
Todo mundo quer ser escolhido
Sou filha de dois sobreviventes de guerra. E como judia, passo a vida tentando entender o que “provoca” o anti-semitismo. Qual seria a raiz do preconceito? Se é que preconceito tem outra raiz senão o medo. O medo do que é diferente? O medo do que você não conhece? Medo de que?
Na idade média, dos poucos que sabiam contar, os judeus, também proibidos de possuir terras, tornaram-se entre outras coisas, contadores, médicos, filósofos etc Mas se então já existia o anti-semitismo que inclusive impunha toque de recolher aos judeus que eram procurados por cães. (Daí a estranheza de muitos judeus aos cães que os perseguiam ao cair da noite.)
O anti-semitismo com a perseguição, espoliação e execução dos judeus forçando-os a sair da Espanha e de Portugal e emigrarem para a América do Norte e América do Sul, principalmente para o Brasil.
O anti-semitismo que levou todos os meus avós e tios para o extermínio nos campos de concentração na segunda guerra mundial.
O que poderia “levar” a isso? Nunca consegui entender...
Até que um dia conheci um rapaz do interior de Minas católico que queria muito se converter ao judaísmo. Ele fazia inúmeros cursos de leitura de Torá, frequentava a sinagoga todo Shabat , seguia mentores religiosos para aprender tudo sobre a religião judaica e possivelmente se converter, de preferência, em Israel porque era a única conversão que tinha real valor para ele.
Aí eu perguntei a ele porque ele queria tanto se converter...
Ele me contou que na infância quando ele ia à missa nos domingos com seus avós, o padre citando a Bíblia dizia que o povo de Israel, os judeus, eram o povo escolhido.
Escolhido para quê?
Bettina Sandel Korall
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