sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Que mundo você habita?



“O Princípio do prazer versus o Princípio da realidade.”


E viva o tio Sig!

A chave da felicidade as vezes é bem pequenininha.
Em outras palavras, não é o tamanho da chave que importa!

Esse é um desses assuntos que apesar de, aparentemente, pequenininho, pode realmente trazer grande luz sobre umas das questões que mais produz sofrimento
na condição humana e sua compreensão pode trazer algum conforto e algum alívio.

Esse pequeno movimento de conforto e alívio pode ser responsável pelo começo de mais movimento na direção do bem estar, melhor estar e muito melhor estar,
dependendo de onde você se encontra na vida.

Aqui não tem nada de novo.


Vários pensadores abordaram a questão do “princípio do prazer” versus o “princípio da realidade”. Uma das uma melhores contribuições foi a de

Sigmund Freud (1856-1939),

chamado de “o pai da psicologia” embora hoje, penso mesmo que ele foi o “tio” da psicologia...(rs...)

Hoje a gente já sabe que a psicologia tem vários "tios" e nenhum "pai".

Ele detecta que o ser humano tem em constante conflito o “princípio da realidade versus o princípio do prazer”. (O que é absolutamente genial!)


E a gente identifica isso na nossa vida, fácil! Fácil!


Quantas vezes, a gente tem que deixar de fazer alguma coisa que está adorando fazer, porque tem que fazer outra, por obrigação ou responsabilidade?


Bate o “princípio da realidade" de frente com "o princípio do prazer”. Você tem que fazer um relatório ou qualquer outra obrigação e está esparramado no sofá curtindo uma

preguicinha básica com um petisquinho e uma bebidinha...Quem vai querer largar o sofá numa circunstância dessa? É domingo...

“Eu até gostaria de ficar mais tempo de férias do que eu fico mas acontece que meu salário não dá para ficar mais tempo de férias...”


Sacou o “princípio da realidade”?


“Não é que eu não gostaria, eu gostaria muito..., mas não dá”

E as vezes, muitas vezes, é possível que você tente construir sua existência conforme seu sonho...

A infância dos seus sonhos, a família dos seus sonhos, a faculdade dos seus sonhos, o trabalho dos seus sonhos, o carro dos seus sonhos, a mulher dos seus sonhos,

e bumm!!! Choque com a realidade.


Esse choque pode acontecer em qualquer dimensão das nossas vidas...

Dei exemplos mais suaves de conflitos entre essas instâncias mas esses conflitos acontecem em instâncias maiores e mais profundas, como escolha de profissão,
escolha de parceiro(a), de casa, de carro, etc.... e etceteras bem doloridos...

É comum, é muito comum da juventude, desafiar essa lei do “princípio da realidade” versus "princípio do prazer".


Aliás, cada um de nós, queria descobrir a formula da felicidade total: prazer total, nenhum sofrimento...É ou não é?

Porque, na verdade, o jeito é ir temperando as duas instâncias da realidade e do prazer, na sua vida.

Elas vão se "negociando" e "renegociando", não é?

Mas é da juventude, em geral, desafiar essa lei...


Porque a gente cria eles bem, alimenta eles bem...dá uma boa caminha, dá conforto...e depois eles não querem deixar esse conforto de jeito nenhum...


“Princípio do prazer” a toda. "Princípio da realidade" a toda.

E como na física, eles possuem forças equivalentes.


É da nossa cultura criar nossos filhos com muito mais liberdade e prazer que nossos pais relatam ou nossos avós.

O que provoca mais ansiedade em nossos pimpolhos que não estão muito familiarizados com frustração.

Assim como também não estamos muito acostumados, por causa da nossa cultura, a prestar atenção

longamente a nada, o que resulta numa epidemia de “DDA” (“Disturbio de Atenção”).


As coisas são apresentadas sucinta e resumidamente porque senão você “perde” seu interlocutor.

A gratificação tem que ser imediata, senão eu passo pra outra coisa. Eu me desinteresso.


Vejo isso muito também nas relações humanas. Pouca paciência para investir.

Para construir.

Acaba faltando consistência nas relações.


Da mesma forma que nada é, também, muito profundo.


Novamente, o que me levou a escrever foi a constatação de que muito sofrimento, nas nossas vidas, vinha da colisão desses dois "mundos",

o do prazer e o da realidade.


A idéia era provocar uma reflexão sobre o tema. Provocou?


por Bettina korall

bettinakorall@gmail.com


sábado, 3 de setembro de 2011

Trauma tem cura?

A necessidade de escrever este texto veio do fato de ter que repetir a mesma coisa todos os dias para inúmeras pessoas que estão sofrendo, nas mais diferentes circunstâncias.
É verdade, trauma tem cura, tanto faz o tamanho do trauma. Podem ser traumas pequenos, o que o americano chama de "soft traumas", "traumas leves" como são por exemplo, os traumas decorrentes de esportes repetidos. Aquele que você nem lembra...
O que é “trauma”?
Penso que é importante a esta altura “emprestar” uma definição de trauma bem simples e útil.
"Trauma é tudo que é demais para o organismo" Seja muito forte, muito cedo na vida, durante tempo demais ou muito subitamente, muito rápido. Ajudou?
Bom, então neste caso, somos todos traumatizados? Em alguma medida, sim. Nós humanos, devido a nossa fragilidade física, emocional e ontológica, vivemos enfrentando situações que são demais pra nós e, devo dizer que na maioria, nos saímos bem. Ou conseguimos superar aquela situação e/ou senão acabamos de algum modo, nos adaptando. Temos a característica de irmos nos adaptando às mais diversas situações. Porque temos muitos recursos. Explicarei esta questão dos recursos mais adiante.
Porem, algumas situações, são demais ou muito rápidas, e nosso organismo tem que responder àquela situação do jeito que der mesmo que ele não esteja preparado, ele é obrigado a agir e não o faz com o tempo necessário e isso é o “trauma“.
Se você cai e machuca seu braço que fica com hematomas, isto pode ser traumático, dependendo da sua resiliência, e de como o seu organismo vai lidar com aquilo se é de maneira fácil ou não.
Ou se você é humilhado na infância...
O que é insuportável para alguns, para outros, não é.
O que é “resiliência”?
Resiliência é a “capacidade” de resistência do seu organismo de uma forma geral, tanto emocional quanto física, integradas.
É a capacidade de se recuperar após algum evento muito forte, de se restaurar, de voltar ao bem estar. Algumas pessoas têm muita dificuldade de superar, de voltar ao bem estar. Ficam “enganchadas” no que as tirou do equilíbrio. Esta característica de se “enganchar” é comum nas pessoas traumatizadas.
Quanto mais dificuldade emocional de lidar com as contrariedades do dia a dia, menor a resiliência, como um todo. Sabe aquela pessoa que enrosca em tudo? Ou que só fala de desgraças? Isso também é sintoma ou sinais pós traumáticos.
Muitos dos pacientes que chegaram ao meu consultório nessas mais de duas décadas, sofriam de doenças crônicas, e ao longo do nosso trabalho, fomos percebendo que as doenças estavam ligadas a traumas no passado. E que trabalhando com novas técnicas de abordagem neurológico/corporal tais como “Somatic Experiencing” (experiência somática)http://www.traumatemcura.com.br, “TRE” “Trauma Releasing Exercises” (técnica desenvolvida e divulgada por David Berceli) http://trelondon.com/author/stevehaines66/ , “Mindfullness” http://www.theinsightcenter.org , e outras, os sintomas, físicos, diagnosticados por médicos e documentados em exames, regrediam ou desapareciam.
Não sei se quero entrar neste tema, neste momento. Mas,
a violência, diferente do que se pensa, não é fruto da pobreza, é fruto do “trauma”. Mas definitivamente é o “trauma” que está na raiz da violência e muitos outros “distúrbios” psíquicos. Não é uma maneira de justificá-la e sim, de entende-la.
E, compreendendo é possível “incluir“.
Bem, se acabamos de nos dar conta que somos, potencialmente, todos traumatizados, a boa notícia é que “traumas” são curáveis.
Não só isso, mas a maior boa notícia é que o organismo humano é auto curável. Como? É isso mesmo que eu li? Sim!
E é justamente porque nos traumatizamos é como somos curáveis, “consertáveis”.
Da mesma forma que podemos nos traumatizar, podemos nos curar de qualquer sintoma ou “sintominha” pós traumáticos.
Chamo de “sintominha” (carinhosamente) aqueles sintomas ou sinais pós traumáticos que aparecem, por exemplo, como pequenas fobias: “medo de elevador”, “medo de avião”, “de multidão” enquanto pequenos “medos” que restringem mas não impedem a vida. Os altamente, contornáveis.
Lembre-se que nos adaptamos a qualquer coisa!
E chamo de sintomas pós traumáticos aqueles que já estão impedindo o curso satisfatório da vida, impedindo a auto-realização, a felicidade. Tais como agorafobia “medo de sair de casa” ou outros sintomas pós traumáticos que se manifestam como doenças graves e doenças auto-imunes.
Até alguns anos, eu jamais poderia fazer essa afirmação com tamanha tranqüilidade mas hoje, já sabemos que traumas afetam a resiliência do organismo.
Quando buscar ajuda profissional?
Então, diante desta estória de “trauminhas” e “traumões“, “sintominhas” e “sintomas“, “dorzinhas“, “dorzonas“, com todo o respeito, qual é o critério para buscar ajuda ou não?
É o sofrimento. É o sofrimento que determina se você deve buscar ajuda...
Você pode se fazer as seguintes perguntas:
“Estou sofrendo?”
“Eu poderia estar vivendo melhor e não estou por causa de algum sintoma pós traumático?”
“Eu poderia estar me relacionando melhor com as pessoas e não estou?”
Parece impressionante mas por detrás destas questões, existem traumas.
E a cura, como é?
A cura, na verdade, é através de ajudar o organismo a “arrumar” aquilo, que ele já está tentando fazer normalmente.
A natureza do nosso organismo é de se restaurar já que o organismo “avariado”, consome mais a “energia vital” deste organismo.
E como isto acontece?
Acontece por meio de uma ajuda neurológica, já que o sistema nervoso parassimpático não distingue entre idéia e realidade e reage da mesma forma às duas provocando uma resposta neurológica assim como uma descarga, reorganização e integração desta nova condição.
E que ajuda é essa?
Esta ajuda é uma ajuda que o organismo já faz como natural que é o uso do “recurso”.
O que é “recurso”?
“Recurso” é tudo que te provoca uma resposta de bem estar ou de melhor estar no corpo. Tudo que, só de pensar, já produz uma resposta boa no corpo. Todos nós temos nossos “recursos”. E os conhecemos muito bem.
Porém o que é “recurso” para um, pode não ser para outro.
“Recursos” são extremamente pessoais.
“Recurso” é tudo que te faz sentir melhor ou cuja simples lembrança, te faz sentir melhor.
Faz esse exercício. Pensa em algo que é “recurso” para você. Pensou? Fica pensando durante um tempinho e percebe o que acontece no teu corpo...
Se não funcionar, muda de “recurso”. As vezes “recursos” são contaminados tipo bom e ruim ao mesmo tempo. Aí você pode isolar aspectos do “recurso” que funcionam como por exemplo:
Pensar no bebé pode despertar outros sentimentos diferentes mas lembrar do cheirinho do bebé após o banhinho pode ser um recurso, entende?
Atenção:“recursar-se aumenta a resiliência da mesma maneira que ficar atentando contra a própria felicidade, a diminui” B.K.
Então, da mesma maneira que usamos nossos recursos, o terapeuta pode usar estes “recursos” junto com o paciente, na sessão, para promover uma mudança na condição de sofrimento, ou seja, mais um passo no caminho da felicidade.
Bettina Korall é psicóloga/neuropsicóloga e terapeuta de SE,
Clinica em São Paulo e online
bettinakorall@gmail.com