sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O que é "borderline"?

Borderline, em uma tradução livre, se refere a extremos, limites tênues. 
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Ou seja, o transtorno de personalidade borderline caracteriza pessoas que, literalmente, são 8 ou 80, de uma forma nada saudável para elas ou para quem as cerca. Vivem uma montanha-russa emocional e podem ir de um intenso sentimento de ansiedade à depressão intensa logo em seguida. Confira alguns indícios clássicos do transtorno:

- Um dos principais sinais do transtorno é um longo histórico de instabilidade nas relações pessoais. Podem idolatrar alguém e, logo em seguida, odiá-la.
- Tendência a assumir riscos sem pensar nas consequências. Especialmente quando os resultados são contra ela mesma, como por exemplo: acidentes de carro, sexo de risco ou abuso de substâncias.
- Sentem raiva intensa sobre assuntos relativamente triviais e respondem fisicamente. Isso pode incluir tentativas de automutilação ou pensamentos suicidas. No entanto, geralmente não estão tentando se matar quando se flagelam. Ao contrário, elas estão expressando sentimentos de raiva com relação a si mesmas ou tentando se sentir ‘normais’.
- Muitas vezes se sentem como pessoas diferentes, dependendo com quem estão. Elas costumam se descrever como perdidas e vazias.
- Pensamentos paranóicos. Elas acreditam em coisas que não são verdadeiras e se sentem perseguidas pelos outros. 
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👨🏻⚕️Estes ataques podem durar algumas horas ou mesmo alguns dias. Devido aos riscos por trás do comportamento extremista, essas pessoas precisam de ajuda psicológica e psiquiátrica. 
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Fonte: Psicolinews 
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Trauma, dissociação e felicidade


Trauma , dissociação e felicidade


Você já percebeu que estava dissociado? Por exemplo, você já percorreu um caminho conhecido sem se perceber e chegou ao seu destino sem ter a mínima memória do caminho que percorreu? Isso é dissociação. Não entenda mal: a dissociação é um mecanismo importantíssimo. Ele pode ser uma defesa. Ele pode estar a serviço da economia de energia do cérebro. Nesse último caso, estar no “automático” em certas tarefas repetitivas permite uma economia maior de energia já que o cérebro presente e pensante gasta muita energia (atp - adenosina tri fosfato).
Nosso cérebro consome muita energia quando em atividade.
Então uma das maneiras de economizar energia em tarefas em que a atenção é relativa é ele se colocar em “piloto automático”. Porém há momentos em que ele está dissociado e não deveria. Exemplifico: quando você está com um problema ou questão que está necessitando muito de sua atenção, é muito comum a dissociação em outras questões ou seja ausência de presença. Sabe aquele momento em que você sem prestar muita atenção concorda com alguma coisa que você jamais concordaria, pois é, você estava dissociado. Comumente chamado de distraído. A verdade é que dissociados não estamos em lugar nenhum. Seu cérebro está tentando dedicar-se a outras questões do que aquela que se apresenta. 
O mesmo acontece com quem carrega traumas. Parece que o trauma ou os traumas habitam o “segundo plano” do ser. Ele acaba “roubando” parte da atenção e presença daquele organismo. A falta de presença e atenção resulta  num self dissociado que habita o mundo sem coerência ou pouco coerente. A pessoa acha que se conhece mas carece de coerência e lucidez. São aqueles seres sem noção. Sem a menor coerência. Lógico que os graus de coerência e noção variam apesar de que muitos de nós nos dedicamos a ter mais lucidez , mais maturidade e maior compreensão do mundo e de quem nele habita. Outros se dedicam a saciar seus desejos imediatos. 
Muitas vezes nos damos conta do quanto estamos dissociados.
Muitas vezes nos damos conta do quanto o outro está dissociado. Até faço uma correlação direta entre trauma e dissociação. 
Muitos traumas não parecem traumas mas causam o mesmo dano na vida da pessoa. Por exemplo: está na moda criar-se as crianças poupando-as de frustração. Minha geração, de certo modo, aprendeu a suportar mais frustração que as crianças de agora (2019). O resultado é que a auto estima, da criança e das pessoas em geral atual, é fragilizada pela ideia recente em termos históricos de felicidade que certamente não tínhamos quando eu era criança. Como agora a felicidade está em moda, ninguém tem facilidade de aceitar e “digerir” o aborrecimento, a frustração, a dor, a ansiedade. Somos tão “mimados” pela tecnologia e facilidades da nossa vida que não podemos esperar. 
Temos que ter tudo na hora. Temos que ser constantemente felizes. 

Bettina Sandel Korall


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A neurologia do sono





Nas últimas décadas muitos pacientes de doenças crônicas graves como miastenia, neuropatias, e muitas outras tinham uma característica comum: a privação de sono.
É no sono que nosso organismo se autoregula, se reorganiza, processa e integra experiências vividas durante o dia. Apesar da boa vontade dos médicos, quem faz uso de remédio para dormir ou relaxar, sabe que o sono “induzido” não tem a mesma qualidade do sono expontâneo.
Ao mesmo tempo, organismos que sobreviveram traumas (independentes do grau ou qualidade do trauma), tem em comum a má qualidade do sono.  Quando eu recebo um paciente com distúrbio de sono, quase que consigo ter uma noção do que este paciente passou. Claro que existem variações de pessoa para pessoa porque uns são mais resilientes do que outros. Para mim, que trabalho com a neurologia do trauma através de uma “simples” conversa que vai atuar no sistema polivagal que é justamente o sistema que foi “prejudicado” pelo trauma, e como sabemos, independe da gravidade da experiência, porque cada um é estruturado de maneira diferente e viveu experiências distintas na vida, a estória que o paciente traz serve somente de guia. O que importa é o que essa experiência causou à neurologia da pessoa. Uma neurologia que ficou em parte “estagnada” na circunstância do trauma. Esse organismo, por estar “estagnado” na circunstância do trauma “tem certeza” de que ainda se encontra em risco e por isso permanece ativado, em alerta.
Esse organismo não pode relaxar porque funciona como se ainda estivesse em risco.
Por causa dessa característica que tem a função de preservar o organismo, aquele indivíduo não pode relaxar, não pode adormecer porque vive como se estivesse em risco. Estas pessoas têm distúrbios bastante sérios de sono. Alguns têm dificuldade para adormecer enquanto que outros adormecem porém acordam muito antes de terem completado um número satisfatório de horas de sono. Horas de sono que permitem ao organismo se recuperar, se reorganizar, se curar, etc

Bettina Sandel Korall
bettinakorall@uol.com.br