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Este espaço destina-se à comunicação entre aqueles que trabalham para e/ou buscam a restauração de sua resiliência e bem estar físico, mental, espiritual...e à integração destas dimensões...
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
domingo, 7 de maio de 2017
Encontros e Despedidas
Encontros e despedidas?
O que acontece atualmente com os relacionamentos românticos?
Por que ocorrem tantos desencontros no Amor? O que se espera de um relacionamento? Homens e mulheres são realmente de planetas diferentes?
Essas são as perguntas mais comuns no consultório quando se trata de relacionamento. E surpreenda-se. Tanto por mulheres quanto por homens na mesma proporção. Pois é, parece que homens e mulheres refletem sobre as mesmas coisas no que diz respeito a relacionamento amoroso. Aparece aqui já uma dica sobre a questão se somos ou não de planetas diferentes. Não somos, não!
Pelo contrário, estamos ficando tão parecidos, homens e mulheres, que já não temos mais a menor idéia do que é papel de um, o que é papel do outro. Isso não seria problema se soubéssemos nos comunicar melhor uns com os outros, digo homens e mulheres, porém ainda precisamos melhorar muito nesta arte.
Há apenas algumas décadas, homens e mulheres tinham papéis bem definidos. Tipo o homem era o único provedor e portanto detentor do poder, era quem mandava, na relação mulher-homem.
Somente este aspecto já modifica radicalmente o relacionamento, não é ? Hoje os dois provêm, trabalham, mantêm a casa, "mandam", tomam todas as decisões pertinentes a relação.
Esta falta de roteiro permite tantos roteiros quanto se queira inventar. Quanto as diferenças entre mulheres e homens, padecemos das mesmas coisas, das mesmas inseguranças, da mesma fragilidade, da mesma vontade de sermos amados, sermos cuidados, compreendidos, acolhidos, respeitados, e mais que tudo, importantes, muito importantes na vida do outro. Pôxa, mas se sofremos das mesmas fragilidades por que temos tanta dificuldade em entender o outro?
Talvez seja porque no Amor temos "dois pesos e duas medidas".
Esperamos do outro coisas quase impossíveis, coisas que nós não temos para dar. Coisas como “amor incondicional” ou esperar que o outro tenha a capacidade de adivinhar o que estamos desejando ou pensando sem que se tenha que dizer nada e por aí vai. Se tratássemos o outro como gostaríamos que nos tratassem talvez pudéssemos ser mais felizes no Amor. Homens idealizam suas mulheres e vice-versa.
Lembra do "não faça ao outro..." O que aconteceu ao "Ame o próximo como a ti mesmo"?
E que tal os abusos cometidos em nome do amor?
Quem disse que o amor inclui vigiar a liberdade do outro o tempo todo? Pois é, há muitos casais que se vigiam mutuamente o tempo todo e se criticam o tempo todo. Já não é fácil viver sob o olhar de um outro...
Além disso a mídia tem nos vendido a idéia de que encontrar pessoas é tão fácil que não vale a pena se esforçar muito para manter a relação. "Amor é que nem biscoito, vai um vem oito". Parece que o amor é mais uma questão de mercado que obedece a lei da oferta e da procura. "Se eu sou sarada e bonita me cabe um par igualmente bonito e em forma". A relação romântica passou a ser o encontro conveniente de dois seres para fugir à solidão, à inadequação social. O objeto de interesse no amor é de fato, objeto de interesse, objeto da atenção. Bem longe do encontro EU-TU de Martin Buber.
Já magoados pelas relações anteriores (casamentos desfeitos, noivados rompidos, grandes doses de boa vontade sendo arrasadas por ‘deslealdades’ e decepções...que na verdade não passam todas de experiências de desencontro) temos grande dificudade para investir afetivamente em novas relações, para estabelecer novas ligações. Estamos machucados e temos medo de acreditar...
A confusão do amor com desejo sexual faz com que a troca de parceiro seja mais constante já que o desejo sexual acaba se exaurindo em sua própria satisfação.
Mas e o Amor, onde anda? O que é?
Segundo Erich Fromm, cada vez mais atual, o "Amor não é uma relação para com uma pessoa específica; é uma atitude, uma orientação de caráter, que determina a relação de alguém para com o mundo como um todo, e não para com um 'objeto' de amor. Se uma pessoa ama apenas a uma pessoa e é indiferente ao resto de seus semelhantes, seu amor não é amor, mas um afeto simbiótico, ou egoísmo ampliado. Contudo, a maioria crê que o amor é constituído pelo objeto e não pela faculdade (capacidade de amar)".
E tem mais: "O amor erótico é exclusivo (em nossa cultura), mas ama na outra pessoa toda a humanidade, tudo quanto vive"..."Amar alguém não é apenas um sentimento forte: é uma decisão, um julgamento, uma promessa". E mais que tudo, uma possibilidade. Cada um, dependendo de sua estrutura psicológica, tem expectativas bastante diversas quanto ao Amor. Uns são complementados em suas fraquezas, outros, em suas forças.
Alguns organizam suas vidas em torno do desejo de agradar, de ser cuidado, ou alternativamente, de controlar, de dominar, de manipular, coagindo o parceiro a atender suas satisfações, suas necessidades, suas vontades, porque não confiam na autenticidade do Amor de ninguém, não acreditam que o que são, sem sedução e manipulação, seja suficiente para serem amados. Quer busquem completude ou preenchimento pela dominação ou submissão, pela obediência ou sendo obedecido, sempre há o mesmo fundamental sentimento de vazio, um "oco" no âmago do ser, um "buraco" que "grita", que "urra" onde um "self" autônomo falhou na possibilidade de assimilar e integrar a básica e fundamental solidão existencial.
Nas palavras de Fromm, “Amar é dar”. Dar. Amar é o exercício da generosidade. É a vontade de dar sem esperar nada em troca. Uma incrível e incontrolável vontade de fazer o outro feliz. Fazer “alguma coisa” para ver o outro feliz. O oposto disso são aquelas relações em que vemos um fazer “qualquer coisa” para infernizar a vida do outro. Muitos “medem” o amor do outro pela quantidade de sacrifícios cometidos. E aí, que tal, dar sem esperar receber nada em troca? Você está achando fora de moda? Pelo contrário, é a última moda. Experimenta. Experimenta.
por Bettina Korall
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
A expressão do canto na auto regulação ou "Quem canta seus males espanta?"
Música é terapia?
Música é terapêutica no momento em que te reconecta com o que há de mais profundo no teu ser. Lembre-se que antigamente, não muito tempo atrás, no final do dia encontrávamos com nossos pares a beira da fogueira onde dançávamos e cantávamos músicas que nos faziam sentir bem. Essa era nossa maneira de nos auto regularmos e principalmente minimizarmos o estresse da vida. E era também a nossa expressão social.
Nos encontrávamos cantando e dançando.
Hoje os jovens, por exemplo, se auto regulam muito na "balada". A balada é uma maneira de auto regulação. Muitos se auto regulam fazendo exercício físico como por exemplo correr.
Você já notou que muita gente trabalha cantando. E você já notou que essas pessoas que trabalho cantando tem uma auto regulação mais efetiva?
Em outras palavras, são mais felizes?
Bettina Sandel Korall
terça-feira, 10 de maio de 2016
A luta dos monoteísmos
A luta dos monoteísmos
Eu sempre soube que eu era filha de Deus. Meu nome hebraico é batia que quer dizer filha d'Ele. Sempre senti que Ele estava lá,eu sempre sabia que Ele estava lá e não importa o que acontecesse Ele sempre estava lá. Cresci forte numa família de sobreviventes do Holocausto.
Meus dois pais eram sobreviventes do Holocausto.
Sobrevivi aos sobreviventes porque Ele estava lá.
Nunca me decepcionou. Mesmo quando eu não sabia o que eu queria direito, Ele sabia.
Mas eu não acho que Ele esteja aí só para mim. Eu sei que Ele está aí para todo mundo.
E mais, Ele é o mesmo não importa a sua religião. Ele é o mesmo. E os homens estão se matando em nome d'Ele. Mas Ele é o mesmo. Nós humanos somos o mesmo. Tanto na grandeza quanto no pior de nós mesmos, somos o Mesmo.
Nascemos igual, morremos igual.Sangramos igual.
Acreditamos em coisas distintas? Fazemos as coisas de modo distinto?
Mas não se engane, somos o Mesmo. Somos o mesmo do mesmo. Somos o Mesmo do mesmo no Mesmo.
Somos Ele.
BK
Eu sempre soube que eu era filha de Deus. Meu nome hebraico é batia que quer dizer filha d'Ele. Sempre senti que Ele estava lá,eu sempre sabia que Ele estava lá e não importa o que acontecesse Ele sempre estava lá. Cresci forte numa família de sobreviventes do Holocausto.
Meus dois pais eram sobreviventes do Holocausto.
Sobrevivi aos sobreviventes porque Ele estava lá.
Nunca me decepcionou. Mesmo quando eu não sabia o que eu queria direito, Ele sabia.
Mas eu não acho que Ele esteja aí só para mim. Eu sei que Ele está aí para todo mundo.
E mais, Ele é o mesmo não importa a sua religião. Ele é o mesmo. E os homens estão se matando em nome d'Ele. Mas Ele é o mesmo. Nós humanos somos o mesmo. Tanto na grandeza quanto no pior de nós mesmos, somos o Mesmo.
Nascemos igual, morremos igual.Sangramos igual.
Acreditamos em coisas distintas? Fazemos as coisas de modo distinto?
Mas não se engane, somos o Mesmo. Somos o mesmo do mesmo. Somos o Mesmo do mesmo no Mesmo.
Somos Ele.
BK
quinta-feira, 10 de março de 2016
Do rompimento do pacto ao colapso.
Vamos combinar: sempre houve roubalheira, sim, sempre.
"O ladrão faz a ocasião" (BK)
O problema ocorre quando se ultrapassa o ponto de ruptura do pacto social.
Quando o exemplo é tão escrachado e escrachar é tão mais fácil que, combinado com a pobre
conexão e pobre educação que os pais conseguem dedicar aos filhos já que o trabalho os consome sobremaneira com sua respectiva atitude de dar bens materiais no lugar de relação devido à sua ausência, resulta no desastre total.
Se elegemos pessoas que não respeitam limites, não temos limites já que pra tudo tem um jeitinho
e não ensinamos limites aos nossos filhos, lhes dando tudo que não tivemos, oferecemos todas as condições para o rompimento do pacto social que nos faz quem somos.
Roubos ocorrem em todas as instâncias e todos os setores em nossa sociedade mas parece que a indignação daqueles que acabam justificando seus atos pelos exemplos impunes dos que deveriam nos servir acaba dando aquele empurrãozinho que faltava de coragem, vai pelo caminho do "salve-se quem puder".
E o resultado é falta: de medicamentos, de bom senso, de atendimento em unidades de saúde
em quaisquer níveis (ambulatórios, hospitais, exames etc), de respeito, de escolas (se rouba desde material escolar e mídias até material físico, cadeiras, mesas e lousas).
E o resultado é sofrimento.
E o resultado é sofrimento.
E agora?
Bettina Korall
Psicóloga, psicoterapeuta especialista em doenças, sintomas e estresse pós-traumático.
Atende presencialmente em São Paulo e pelo Skype.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Entrevista rara de Sigmund Freud
Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.
Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.
Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.
Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.
S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.
Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.
Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.
– Por quê – disse calmamente – deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?
George Sylvester Viereck: O senhor teve a fama, disse que Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.
S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais.
A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não e virtude.
George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?
S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não e certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.
Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.
S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.
George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?
S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.
George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?
S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?
George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?
S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar a vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma.
Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro.
Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.
George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.
– É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer.
Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição.
Do mesmo modo com um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós.
A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer.
No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante.
Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.
Isto, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartamann.
S.Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte.
Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós.
Neste sentido acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.
Estava ficando frio no jardim.
Prosseguimos a conversa no gabinete.
Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.
George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?
S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopoliza-la.
George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?
S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.
George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?
S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente.
Minha filha também é psicanalista, como você vê…
Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxonicas.
George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?
S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros.
O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.
George Sylvester Viereck: Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristão. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. “Tout comprec’est tout pardonner”.
Pelo contrário! – bravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu. Compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não e de maneira alguma um corolário do conhecimento.
Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, por que ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Uma herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça.
Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, mina realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.
Fiquei algo desapontado com esta observação.
Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava o mais atraente como ser humano.
Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!,
Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!
Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com frequência são também a fonte de nossa força.
Tradução de Paulo Cesar Souza – 20 de abril de 2010
Via Freudiana
Ler mais: http://www.psicologiasdobrasil.com.br/o-valor-da-vida-uma-entrevista-rara-de-freud/#ixzz41ZdVCpiA
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Um homem é do tamanho do seu coração
Um homem é do tamanho do seu coração
Ele o dá por inteiro e não aquilo que não lhe faz falta.
Ele dá aquilo que ele tem de mais precioso. Sua atenção, seu tempo. Ali onde está sua atenção, está seu amor.
Nosso maior bem é o tempo que temos disponível para nossa existência. Outro dos nossos maiores bens é a nossa saúde.
Outro grande bem é a qualidade da sua relação consigo mesmo.
Em geral, confunde-se bens materiais com esses bens legítimos. E geralmente para compensar a falta de outros bens. Porque de fato, os bens materiais acabam sendo um paliativo. Um grande paliativo mas sempre um paliativo.
Um olhar no olho do outro durante 11 segundos faz com que a oxitocina comece a circular no nosso organismo. A oxitocina é a substância responsável pelo vínculo, pelo amor, pela lactação, contrações uterinas no nascimento do bebê, e muitas outras coisas que ocorrem no nosso organismo para nossa sobrevivência como espécie. Sem a oxitocina deixaríamos nossa cria morrer.
A oxitocina é liberada também no momento do orgasmo o que propicia o vínculo.
Tenho o sonho de realizar um experimento para apurar se existe alguma variação na produção e circulação da oxitocina em organismos cuja a alimentação seja mais ou menos alcalina. Mais ou menos ácida.
Da mesma maneira que organismos que mantém uma dieta muito ácida adoecem mais.
E tem mais dificuldade de auto-regulação. Muitos indivíduos que sofrem com depressão são tratados com mudanças na dieta porque uma dieta mais alcalinizante favorece a sintetização no intestino da serotonina, endorfina entre outras substâncias que favorecem o bem estar.
Veja que felicidade e biologia são, na realidade, a mesma coisa.
Ao longo dos anos de clínica fui aprendendo o quanto ficar só no cognitivo não ajudava ou ajudava pouco aqueles que sofriam.
A integração do físico com o que vai na alma é que permite resgatar aquilo que foi dissociado e portanto, abandonado.
As partes abandonadas é que choram, clamam, gritam por atenção, por tempo, por amor.
Um homem é do tamanho do seu coração.
Bettina Sandel Korall
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