Você sabe porque as pessoas usam máscaras?
As pessoas usam máscaras para esconder a sua dor. Todo mundo quer parecer simpático, feliz, sorridente.
Mas a dor não deixa. Então vai se formando uma máscara tanto física quanto emocional e que também funciona como um escudo. Contra mais dor. A dor de todas as frustrações da vida, de todas as perdas, de todas as saudades, de todos os “nãos”. Essa máscara é uma defesa. Contra mais dor.
Os “nãos” assim como os “sins” são partes da nossa vida. Mas com os “sins” a gente sente que tá tudo bem, que está tudo certo. Com os “nãos” a gente sofre. Sofre mesmo. Tem gente que nem percebe. Como a estória do sapo que vai cozinhando na panela de água fervendo aos poucos. O “nãos” vão se acumulando. Tem gente que consegue construir válvulas boas de escape. O que eu chamo de “recursos”. Tem gente que consegue construir uma máscara tão fina e frágil que ela as vezes deixa transparecer quem de fato a pessoa é. Até para ela mesma. Mas as vezes existem máscaras sobre máscaras. Em camadas. As pessoas têm consciência dessas máscaras em diferentes níveis. Alguns mais, outros menos. É quase impossível viver sem máscaras. Totalmente despido de vaidade ou medo da dor. Tive notícia de muito poucos seres que viveram sem máscara. Ex: Gandhi
A máscara começa a se construir na infância. Na primeira vez que acontece uma frustração e se tem que esconder os sentimentos, dos outros e/ou de si mesmo, para sobreviver.
Quantos choros engolimos para seguir em frente. É da nossa natureza. As máscaras servem para esconder as dores, as mágoas, os ressentimentos, as raivas, os ódios e outos.
Minha função é auxiliar o indivíduo a processar sentimentos insuportáveis para que integrados eles permitam uma viagem mais suave. Mais possível. Menos sofrida. Mais frutífera. Mais integrada. Com os métodos neuroexperienciais (somatic experiencing, brainspotting) menos verbais e subcorticais. Isso é possível, inclusive em menos tempo com muito resgate de conforto emocional. Numa perspectiva compreensiva, benevolente e compassiva. Principalmente consigo mesmo.
Bettina Sandel Korall
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