domingo, 24 de novembro de 2019

Sobre auto regulação


Eu desconfio que o restabelecimento da auto regulação pode maximizar acelerar e ampliar a reabilitação.
Eu trabalho com auto regulação e restabelecimento do sistema que foi lesado por ocasião de traumas diretos, indiretos ou herdados. 
Acredito que muitos problemas do organismo ocorrem ou são agravados por deficiência da auto regulação. 

Com a melhora da auto regulação, o organismo é mais resiliente e menos vulnerável a trauma ou estresse.
 Um exemplo de auto regulação é o sono ou a deficiência de sono adequado.  Acredito que haja uma pandemia silenciosa de falta de sono adequado.
 Por sono adequado, quero dizer as 4 ou 5 rodadas por noite de sono não rem e rem em uma proporção de 90 minutos de sono não rem, seguidos por 20 minutos de sono rem.

I suspect that reestablishing self-regulation can maximize accelerate and extend rehabilitation.
 I work with self-regulation and restoration of the system that was injured by direct, indirect or inherited trauma.
 I believe many body problems occur or are aggravated by deficient self-regulation.

With the improvement of self-regulation the organism is more resilient and less vulnerable to trauma or stress.
One exemple of self-regulation is adequate sleep or lack of adequate sleep. I believe there is a silent epidemic of lack of adequate sleep. 
And by adequate sleep I mean the 4 or 5 rounds of non rem and rem sleep in a proportion of 90 minutes non rem sleep followed by 20 minutes rem sleep.

Bettina Sandel Korall
bettinakorall@uol.com.br

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O dinheiro é mais importante que a pessoa?

Estamos vivendo um fenômeno muito estranho e perverso.
Por um imenso sucesso biológico, nós, humanos, crescemos e nos multiplicamos. 
Era impossível imaginar a não ser para um sujeito chamado Malthus, que povoaríamos o planeta de tal forma que acabaríamos sucumbindo à nossa própria evolução.
Perversidade uns com os outros porque nos tornamos nas palavras de Martim Buber, “issos”. Nossa “civilização” está tão dissociada que poderia-se dizer que vivemos a “era dos paradoxos”. 
A “era da serotonina” e não “a era da oxitocina”.
E o desespero geral é tão grande que se quer crer que o “inimigo”, ou seja quem ou o que está entre a minha felicidade plena e eu, é alguma ideologia, alguma crença.
Se você quer ver o “inimigo” , sem demagogia, olhe-se no espelho. Não você exclusivamente, você, eu, humanos, todos.
Nas palavras de Michael Jackson “the man in the mirror”.

Bettina Sandel Korall

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Anotações sobre o trauma



Correr, lutar ou “congelar” diante de ataque de risco são as três possibilidades neurológicas dos mamíferos. 
Quotidianamente nosso organismo se sai bem frente a eventos de risco mas quando o ataque é muito para ele, organismo, tem que abrir mão de reações de defesa que o afetam temporariamente ou definitivamente. Esses são os sintomas e doenças pós traumáticos. 
Quanto mais insuportável o evento maior o trauma e a impossibilidade ou dificuldade do organismo funcionar em plenitude como fazia antes do evento traumático.

A boa notícia: tem cura.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Sobre o EGO

O EGO é uma construção de personalidade como as formas de madeira necessárias para o concretamente do self.
O EGO é uma estrutura de defesa. Uma estrutura de pensamento. Geralmente é constituído de valores, crenças, idéias, emoções profundamente reprimidas, constructos intelectuais. 
Muitas vezes é mantido sob controle até que algo que é vivido como ameaça ao bem estar do indivíduo, e então ele se torna visível e forte com possibilidade de desestruturação parcial. O EGO machucado dependendo da severidade do trauma, é um EGO cheio de "rasgos". 
Muitas personalidades traumatizadas podem ter um EGO "como se". São pessoas que possuem uma capacidade de integração muito limitada então eles "imitam" o comportamento do outro que funciona como um guia. Qualquer outro que diante de sua capacidade pobre de avaliação pareça sensato.
Outro exemplo de personalidade de trauma é a personalidade psicopata onde o indivíduo é completamente dissociado de qualquer emoção legítima. E dependendo do grau, capaz de tudo para ter êxito em seus objetivos. Existem emoções que podem ser impulsionadoras mas estas estão enterradas muito profundamente.
Todo EGO "machucado", traumatizado tem rupturas.
Tem indivíduos com tamanhos "rasgos" que nada é tangível, tudo se lhe escapa pelos "rasgos" e ele está sempre necessitado. 
Muitas vezes para não se sentir constrangido, o que produz sofrimento, o indivíduo constrói um EGO persona onde ele sempre está interpretando um papel teatral o que consome muita energia vital.(esse é o que chamei de "como se")
Ao longo dos anos notei que esse tipo de personalidade constantemente tinha um sistema imunológico mais 
frágil. Na verdade, notei que a saúde do sistema imunológico tinha tudo a ver com o comprometimento do organismo por trauma.
A vida de que sofreu algum trauma significativo é bem mais difícil do que a dos outros. A relação consigo mesmo é mais árida. As relações humanas são mais complicadas. Tudo é mais difícil para essas pessoas. Posso dizer isso pela minha própria vida e a de muitos pacientes atendidos nesses mais de trinta anos.
Notei que após a terapia as pessoas lidam melhor com seus problemas, com seu trabalho, em suas relações humanas. Tudo corre mais suave. Acabam as situações de "vítima". Acabam as buscas extremas de "poder". E a vida fica mais fácil sem ter que carregar tanto "peso" de mágoas passadas.


E eu sempre me perguntando o quanto o desgaste do organismo facilita doenças, o quanto "derruba" o sistema imunológico.

Sobre autorregulação

Quanto mais dissociado o organismo ou indivíduo , menos ele consegue se autorregular.
Parece que autorregulação depende de um certo grau de presença.
A autorregulação é a capacidade do organismo se refazer a cada ciclo o tempo todo e de novo. Nosso organismo tem essa capacidade plena. Como por exemplo no nosso sono. Pessoas que têm distúrbio de sono sabem o quanto isso prejudica sua autorregulação. O nosso organismo se reorganiza durante nosso sono. Se refaz.

E em geral observa-se que quento mais prejudicado por trauma menos presença e portanto menos autorregulação.
E não me parece que a nossa cultura favorece a autorregulação já que ela não admite muito os ritmos (pessoais) individuais.
Não se tem tempo suficiente para a digestão, para o sono, para executar tarefas. O nosso corpo é sete vezes mais lento que o nosso neocórtex?
Estresse garantido.

Isso sem contar com os “combustíveis” com os quais o nutrimos. Nutrimos?

Sobre trauma



Pesquisando e clinicando há mais de trinta anos, cheguei a uma técnica integrativa que reconstrói a neurologia do indivíduo atingido por trauma permitindo assim a "volta" ao fluxo natural do "rio" da vida restaurando a autorregulação.
Nosso organismo é incrivelmente capaz de se regular neurologicamente de modo a nos adaptarmos às grandes saídas de nossa zona de conforto. Porém, um indivíduo que passou por trauma geralmente tem essa capacidade diminuída ou em casos mais severos, nenhuma capacidade de autorregulação. Sabe aquela pessoa que sai do sério por pouca coisa e depois não consegue voltar ao lugar interno de paz, segurança conexão objetividade orientação etc?
É o trauma que causa tudo isso e que compromete o funcionamento pleno do organismo por perda de energia. Energia essa, vital, da qual este organismo depende e que está sendo drenada pelo vórtex de trauma para sua própria manutenção. E que consequentemente, fará falta a esse organismo.
No trabalho clínico de cura que é a restauração da autorregulação é muito comum acontecer reestruturação da autoestima, alegria, esperança  etc que são os maiores recursos que temos e mais do que tudo, o retorno dessa energia vital para o organismo aumentando assim a resiliência que é um termo emprestado da Física designando a capacidade de um material recuperar sua forma e estrutura original após algum tipo de impacto significativo. No nosso caso, é a capacidade e a qualidade de sobrevivermos após algo que foi demais para nós. Veja bem, dois indivíduos passam pela mesma experiência e um saí traumatizado e o outro, não. Um é mais resiliente que o outro.
Trauma é tudo o que é muito forte para o organismo e que deixa alguma sequela mesmo que seja um comportamento mínimo que atrapalha um pouco a vida (estresse pós traumático) ou um sintoma grande que quase impossibilita a existência (sintoma pós traumático).
Mesmo que raramente o indivíduo associe aquele sintoma ao trauma.
De todos os modos o que me leva trabalhar com essas pessoas e escrever sobre o assunto é o desejo profundo de que as pessoas saibam que elas tem a possibilidade de viver uma vida plena e não uma sobrevivência sofrida por causa de algo que estava além de sua capacidade de suportar como se fosse uma fatalidade do destino.
Tem cura.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O que é "borderline"?

Borderline, em uma tradução livre, se refere a extremos, limites tênues. 
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Ou seja, o transtorno de personalidade borderline caracteriza pessoas que, literalmente, são 8 ou 80, de uma forma nada saudável para elas ou para quem as cerca. Vivem uma montanha-russa emocional e podem ir de um intenso sentimento de ansiedade à depressão intensa logo em seguida. Confira alguns indícios clássicos do transtorno:

- Um dos principais sinais do transtorno é um longo histórico de instabilidade nas relações pessoais. Podem idolatrar alguém e, logo em seguida, odiá-la.
- Tendência a assumir riscos sem pensar nas consequências. Especialmente quando os resultados são contra ela mesma, como por exemplo: acidentes de carro, sexo de risco ou abuso de substâncias.
- Sentem raiva intensa sobre assuntos relativamente triviais e respondem fisicamente. Isso pode incluir tentativas de automutilação ou pensamentos suicidas. No entanto, geralmente não estão tentando se matar quando se flagelam. Ao contrário, elas estão expressando sentimentos de raiva com relação a si mesmas ou tentando se sentir ‘normais’.
- Muitas vezes se sentem como pessoas diferentes, dependendo com quem estão. Elas costumam se descrever como perdidas e vazias.
- Pensamentos paranóicos. Elas acreditam em coisas que não são verdadeiras e se sentem perseguidas pelos outros. 
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👨🏻⚕️Estes ataques podem durar algumas horas ou mesmo alguns dias. Devido aos riscos por trás do comportamento extremista, essas pessoas precisam de ajuda psicológica e psiquiátrica. 
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Fonte: Psicolinews 
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