quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Onde me perdi?


A cidade nos engole e nos digere.

Caminhões passam lentamente

A vida é bela e feia ao mesmo tempo

Vales e não valem a geografia da alma


Conquistando arduamente imobilização

Do nada de si,

Só sobrou a casca

Casca linda mas casca, fina e ruim


Casca cruel e delicada, frágil e fingida

Casca vendida por sonhos de ser feliz

Casca sonhadora e frustrada

Casca delicada


Cai e expõe a noz de vida ruim e vazia

Como não ser quem se é?

Como não se ver de vez em quando?

Como viver com tanta saudade de si?


Como voltar ao ninho vazio?

Abandonado pela ambição

De nada sentir, nada sofrer

Vida só de prazer?


E a cidade nos engole e nos digere

Caminhões passam lentamente

A vida é bela e feia ao mesmo tempo

Vales e não valem geografia da alma


Conquistando parcialmente o nada de si

Sem saber o que a alma diz

O que o desejo quer

E nem mais o que é ser feliz...


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